domingo, 1 de novembro de 2015

FOR DRINKING WATER IN DROUGHT,CALIFORNIA LOOKS WARILY TO SEA

Desalination

CIMENTO ARMADO

É de ficar aterrado com as barbaridades,as violências,as loucuras que enchem,a transbodar, o muito estendido passado do homem,parecendo todas elas terem caído em saco roto,a atentar na sua frequente repetição,e,até,na sua ignorância,como não tivessem tido lugar,ou fossem coisas de somenos.
Os tratos a que o pobre ser tem sido sujeito. É de admirar como ainda há homem,como ainda está inteiro,como não se escaqueirou já todo,não ficando osso sobre osso. É de cimento bem armado este homem,para a tanto abalo resistir.

HORAS SEM FIM

O barco naufragara,na viagem de regresso de grande e perigosa aventura. Só ele se salvara,mas deixara lá,nas águas com sal de muitas lágrimas,uma perna e um braço.
Não se sabe como está ele ainda vivo,passados que foram tantos anos. Até já se lhes perdeu o conto. Não lhe tem valido,para seu sustento,qualquer tensa,por minguada que fosse. Teria de ser poeta,como o vizinho do canto. Assim,tivera de se desembaraçar,escolhendo um local estratégico,a entrada da memória de um épico empreendimento.
Ali permanece horas sem fim. Sentado num degrau,à esquerda ou à direita,tanto faz,mostra as ausências,esperando que um copo translúcido se vá enchendo.
Assim tem aturado. É isto mais do que justo,pelo muito que ele, e tantos como ele, fizeram. Mas,atendendo,pelo menos,à solenidade do lugar,já se podiam ter lembrado dele,arranjando-lhe um poiso mais confortável.

CONTEM COMIGO

O passarinho,ali em árvore frondosa,onde se acoitava,não se cansava de cantar,de assobiar,o que quer que seja,lá como ele sabia,e que bem o fazia. Onde é que ele teria aprendido? Era assim como que uma espécie de nota acima,nota abaixo,tudo muito afinado.
O cão ladrava,ali perto,e ele respondia. Passava um carro,e ele comprimentava. Os pombos arrulhavam,e ele dava logo conta. Parecia aquilo um alertar. Olhem que eu estou aqui,contem comigo.

SER GENTE

Era de prever o que viria a acontecer com aquelas folhas dos rebentos da árvore,quer dizer,das folhas da base,do rés-do-chão. Tão depressa quiseram crecer,talvez no desejo incontido,dominador,não de imitar,que ideia,mas de ultrapassar as lá de cima,que estavam ali que nem pareciam as folhas bonitas de ainda há poucos dias.
Fora-se-lhes o viço,fora-se-lhes a leveza,fora-se-lhes a graça. E puseram-se grosseiras,àsperas,encarquilhadas,feias. Já nem dava gosto olhar para elas. E tudo por aquela mania de querer ser gente,logo no dia a seguir.

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Desalination

OS CARRINHOS E O SOL

Ai está,o SOL a dizer contem comigo,parece que se tinham esquecido de mim. Andavam para aí apoquentados,a meterem-se,mesmo, em aventuras perigosas,como é essa de desviar comidinha,que faz tanta falta em tanta boca,para arranjar combustível e EU,lá em cima,ou em baixo,tanto faz,que Eu sou sempre o mesmo SOL,muito ralado,a pensar que ME tinham posto de parte. Ora isso não se faz. E foi preciso que alguém se lembrasse duma coisa tão simples que até uma criança,se estivesse para isso,o fazia.
Pois claro que Eu posso fornecer a eletricidade que vocês quiserem. Estavam para ali os desertos sem fazer nada de jeito e agora parece que também se lembraram deles. O que vai ser de painéis por aquelas extensões. Para começar já se inscreveu o Negev. Ah estes geniais israelitas. É de se lhes tirar o chapéu. Os carrinhos,que já estavam a ver a vida a andar para trás,vão passar a adorar o SOL.