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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

INCONSTÂNCIA

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu !

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava !
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...

FLORBELA ESPANCA
Sonetos
35ª Edição
Bertrand Editora
2005

quinta-feira, 20 de junho de 2013

ALENTEJANO

Deu agora meio-dia ;  o sol é quente
Beijando a urze triste dos outeiros.
Nas ravinas do monte andam ceifeiros
Na faina, alegres, desde o sol nascente.

Cantam as raparigas,brandamente,
Brilham os olhos negros, feiticeiros ;
E há perfis delicados e trigueiros
Entre as altas espigas de oiro ardente,

A terra prende aos dedos sensuais
A cabeleira loira dos trigais
Sob a bênção dulcíssima dos Céus.

Há gritos arrastados de cantigas ...
E eu sou uma daquelas raparigas
E tu passas e dizes : "Salve-os Deus !"

FLORBELA  ESPANCA

domingo, 9 de junho de 2013

INCONSTÂNCIA

Procurei o amor,que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava ;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu !

Tanto clarão nas trevas refulgiu.
E tanto beijo a boca me queimava !
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu !

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo
Que há.de partir também...nem eu sei quando...

FLORBELA   ESPANCA