sábado, 31 de outubro de 2015
O SEU PAPEL
Uma folha seca desprendera-se da árvore e jazia no chão. A outras já acontecera o mesmo,que o chão bem o mostrava. Mas a chuva caíra,abundante,já alguns dias,pelo que a queda das folhas não seria de a terra estar seca.
Chegara,simplesmente,a vez das folhas se desprenderem das árvores,depois de terem cumprido o seu papel,por sinal,um papel essencial. Não deviam estar,tristes,pois,as folhas por no chão se verem. Tinham cumprido o que lhes estava destinado,era isso o que importava. Outro destino as aguardava,num perpétuo mudar de forma.
Chegara,simplesmente,a vez das folhas se desprenderem das árvores,depois de terem cumprido o seu papel,por sinal,um papel essencial. Não deviam estar,tristes,pois,as folhas por no chão se verem. Tinham cumprido o que lhes estava destinado,era isso o que importava. Outro destino as aguardava,num perpétuo mudar de forma.
ERA ASSIM
Aquela latrina de loja em centro histórico de cidade,há uns largos anos,não passava de um acanhado cubículo. O que lá se via não destoava. Um buraco,fragmentos retangulares de jornal,espetados num arame ferrugento e,nos fundos,um recetáculo triangular para os receber.
Quando os recortes se aproximavam do teto,vinha pessoal especializado. Traziam grandes sacas de linhagem. E,sem luvas,vá de as encher,calcando.
Um pouco mais adiante,no tempo,a latrina de um terceiro andar de rua nobre,de urbe ainda mais nobre,era um buraco na parede de uma sala,onde se passava roupa a ferro. Lá morava um diretor de escola,com uma filha que se entretinha o santo dia a massacrar o piano.
Avançando,mas apenas uns escassos anos,a latrina de uma pensão muito concorrida,em vila sede de concelho,era lá fora no quintal. Dois jarros dos grandes,a um canto,esperavam que os despejassem e os fossem encher. Era isso que cada um fazia,indo ao poço,ali ao lado. Fazia-se bicha disciplinada,de homens e de mulheres.
Ainda há quem se queixe,e com razão. Mas naqueles recuados tempos,pouca gente se queixaria. Era assim.
Quando os recortes se aproximavam do teto,vinha pessoal especializado. Traziam grandes sacas de linhagem. E,sem luvas,vá de as encher,calcando.
Um pouco mais adiante,no tempo,a latrina de um terceiro andar de rua nobre,de urbe ainda mais nobre,era um buraco na parede de uma sala,onde se passava roupa a ferro. Lá morava um diretor de escola,com uma filha que se entretinha o santo dia a massacrar o piano.
Avançando,mas apenas uns escassos anos,a latrina de uma pensão muito concorrida,em vila sede de concelho,era lá fora no quintal. Dois jarros dos grandes,a um canto,esperavam que os despejassem e os fossem encher. Era isso que cada um fazia,indo ao poço,ali ao lado. Fazia-se bicha disciplinada,de homens e de mulheres.
Ainda há quem se queixe,e com razão. Mas naqueles recuados tempos,pouca gente se queixaria. Era assim.
ROUPA DE FORA
A velhinha árvore acordou do seu aparente sono de meses. Para já,tem sido só um espreguiçar,o que se compreeende muito bem,dada a sua idade vetusta. Quer dizer,começou a vestir a sua nova camisa, uma nova peça de roupa de fora,que a de dentro,a camisola interior, está sempre a mudar.
O SEGURO MORREU DE VELHO
Aquele crocitar não enganava. Era sinal de mais um visitante daquele jardim. Já se tinham visto por ali gaivotas,pombos,melros,rolas ,pardais e outros que tais,mas corvo é que nunca.
Pois ali andava ele naquela manhã de sol. Ouvira-se,primeiro,a sua voz inconfundível. Devia estar próximo. E, de facto,não se fez esperar. Esteve uns segundos a descansar na relva,que o seguro morreu de velho. Depois,há asas para que vos quero. Uma árvore ramalhuda estava ali perto e foi para ela que apontou.
Mas donde teria vindo aquele corvo? Não tardou muito a saber-se. Era preciso ali alguém que desse ordens,pois aquele jardim já estava a ficar um tanto seco. E esse alguém apareceu a dá-las. Tinha ele um ar de chefe. Trazia,pelo menos,muitas chaves bem à vista. Seria um homem de muitas portas. E uma delas talvez fosse da porta onde morava o corvo.
O certo é que os dois deram mostras de se entenderem. Aquela árvore teria sido o ponto de encontro. Pareceu até que conversaram.
Pois ali andava ele naquela manhã de sol. Ouvira-se,primeiro,a sua voz inconfundível. Devia estar próximo. E, de facto,não se fez esperar. Esteve uns segundos a descansar na relva,que o seguro morreu de velho. Depois,há asas para que vos quero. Uma árvore ramalhuda estava ali perto e foi para ela que apontou.
Mas donde teria vindo aquele corvo? Não tardou muito a saber-se. Era preciso ali alguém que desse ordens,pois aquele jardim já estava a ficar um tanto seco. E esse alguém apareceu a dá-las. Tinha ele um ar de chefe. Trazia,pelo menos,muitas chaves bem à vista. Seria um homem de muitas portas. E uma delas talvez fosse da porta onde morava o corvo.
O certo é que os dois deram mostras de se entenderem. Aquela árvore teria sido o ponto de encontro. Pareceu até que conversaram.
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