terça-feira, 31 de março de 2015
FEIJÕES
Fora aquele um tempo para esquecer,um tempo em que se queria ganhar todos os jogos,nem que fossem a feijões.
RICA VARANDA
Naquela manhã,ele não suportou mais aquele estar sentado à mesa do café onde tem passado grande parte das horas que lhe restam. A mulher ainda lá ficou. Esta vive ainda mais daquilo. Pode dizer-se,até,que ela vive para aquilo. Pode ela lá dispensar aquela rica varanda. De lá,vê meio mundo,o mundo que lhe interessa.
Sentam-se,quase sempre,na mesma mesa,o melhor ponto de observação. Ele lê o jornal e torna a lê-lo,mas só as gordas,que a vista tem de ser poupada. De resto,ele acha que as gordas têm o essencial. Para que havia de ler tudo? Ela não se cansa do panorama.
Estão ambos velhos,e ele claramente mais gasto. Talvez naquela noite tivesse dormido mal,talvez as gordas o tivessem fortemente abalado. Como quer que fosse,saiu de lá a correr,como a pedir socorro.
De lá saído,recomeçou um seu outro passatempo e que é o de calcorrear algumas ruas dos seu bairro,sempre as mesmas,que ele conhece de cor e salteado. Conversa com este e com aquele,que ele é sociável e amigo de toda a gente.
A mulher ficou lá à espera dele. Quando a fome apertasse,ele havia de aparecer. No dia seguinte,voltariam ao seu café e seria o que Deus quisesse.
Sentam-se,quase sempre,na mesma mesa,o melhor ponto de observação. Ele lê o jornal e torna a lê-lo,mas só as gordas,que a vista tem de ser poupada. De resto,ele acha que as gordas têm o essencial. Para que havia de ler tudo? Ela não se cansa do panorama.
Estão ambos velhos,e ele claramente mais gasto. Talvez naquela noite tivesse dormido mal,talvez as gordas o tivessem fortemente abalado. Como quer que fosse,saiu de lá a correr,como a pedir socorro.
De lá saído,recomeçou um seu outro passatempo e que é o de calcorrear algumas ruas dos seu bairro,sempre as mesmas,que ele conhece de cor e salteado. Conversa com este e com aquele,que ele é sociável e amigo de toda a gente.
A mulher ficou lá à espera dele. Quando a fome apertasse,ele havia de aparecer. No dia seguinte,voltariam ao seu café e seria o que Deus quisesse.
UN RICO TETO
Os baldios iam acabando lá no bairro onde ele nascera e do qual não queria sair. Um dia,chegou a vez ao que mais resistira e onde ele arranjara morada. Neste transe,voltou-se para os desvãos de prédios,mas esses tinham também os dias contados. Os que restavam não passavam de uns buraquinhos.
O que fazer? Emigrar,nem pensar nisso. Seria a sua morte. Havia de encontrar coisa capaz. E assim aconteceu. Pode dizer-se que era uma caverna,mas não uma qualquer. Um verdadeiro achado. Um rico teto.
Abria-se no termo de uma rua que não tivera seguimento,por lhe ter surgido pela frente uma respeitável barreira. Um beco,afinal,um beco largo,com passeios largos. Mas também um beco especial,pois a fechá-lo atravessava-se um prédio assente em pilares.
O amplo vão que assim se formara,um futuro túnel,enchera-se de carros,que respeitavam as bermas. E era numa delas que ele se instalara com armas e bagagens,cama incluída.
Não vivia só. Por ali também se acolhiam gatos. E era com eles,com os seus vizinhos,que ele conversava.
O que fazer? Emigrar,nem pensar nisso. Seria a sua morte. Havia de encontrar coisa capaz. E assim aconteceu. Pode dizer-se que era uma caverna,mas não uma qualquer. Um verdadeiro achado. Um rico teto.
Abria-se no termo de uma rua que não tivera seguimento,por lhe ter surgido pela frente uma respeitável barreira. Um beco,afinal,um beco largo,com passeios largos. Mas também um beco especial,pois a fechá-lo atravessava-se um prédio assente em pilares.
O amplo vão que assim se formara,um futuro túnel,enchera-se de carros,que respeitavam as bermas. E era numa delas que ele se instalara com armas e bagagens,cama incluída.
Não vivia só. Por ali também se acolhiam gatos. E era com eles,com os seus vizinhos,que ele conversava.
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