quinta-feira, 1 de outubro de 2015
DÁ GOSTO
Para o que lhe havia de dar. Perdia a cabeça quando via ou ouvia coisas que estivessem a pedi-las. E então,como que abrutamente empurrado,saltava para o meio da cena,disposto a dar forte e feio. Não tivera insucessos,pelo que reincidia. Mas precisava de ter muito cuidado,se não ainda, um dia,sair-lhe-á o tiro pela culatra,ou,o que é o mesmo,irá buscar lã e ficará tosqueado,ou o caçador arriscar-se-á a ser caçado.
Aquilo,daquela vez,excedia tudo o que imaginar se pode. O moço, já crescidinho, entrara acompanhado de uma menina de similar crescimento. Mal se sentaram,o moço não se conteve. Não calculas como estou grudado ao livro. Há tempos que não lia um que me enchesse tanto as medidas. É asneira que ferve,uma ou mais em cada frase. Assim,dá gosto.
A menina não piou,talvez envergonhada por tamanha má boca do companheiro. Um moço crescidinho encantado com uma porcaria daquelas. Estava a precisá-las.
Ouvi-as das boas. Mas o moço era de se encolher. As asneiras tinham-no quebrado,amolecido. Daquela vez,ainda escapara. Ver-se-á para a próxima.
Aquilo,daquela vez,excedia tudo o que imaginar se pode. O moço, já crescidinho, entrara acompanhado de uma menina de similar crescimento. Mal se sentaram,o moço não se conteve. Não calculas como estou grudado ao livro. Há tempos que não lia um que me enchesse tanto as medidas. É asneira que ferve,uma ou mais em cada frase. Assim,dá gosto.
A menina não piou,talvez envergonhada por tamanha má boca do companheiro. Um moço crescidinho encantado com uma porcaria daquelas. Estava a precisá-las.
Ouvi-as das boas. Mas o moço era de se encolher. As asneiras tinham-no quebrado,amolecido. Daquela vez,ainda escapara. Ver-se-á para a próxima.
FEIO ESPINHO
No melhor pano cai a nódoa. Eram ralos entupidos,era cinza de cigarro por toda a superfície,eram pedaços de papel higiénico no chão e na bancada do lavatório. Era este o triste estado daquela "salle de bains" de um rico conjunto de amplos e lindos espaços ,de largos e ricos corredores.
Acontecia tal mácula quando a utilizava certa gente,gente com cara de fome,pálida,alheada. Para o papel, havia um incentivo. É que o secador padecia de uma avaria crónica. Debitava uma corrente tão fria,que afugentava qualquer um. E quem pagava eram os rolos das sanitas.
Os parcos recursos não dariam para a reparação,seria o mais certo. Pena maior era o de não permitirem engordar os magros salários. Se tal acontecesse,talvez um milagre,certamente outras caras eles apresentariam e também outros procedimentos.
Era uma nódoa aparentemente escusada. Mas ali estava um grosseiro quadro de bastidores a mostrar como uma bela rosa pode conviver com um feio espinho.
Acontecia tal mácula quando a utilizava certa gente,gente com cara de fome,pálida,alheada. Para o papel, havia um incentivo. É que o secador padecia de uma avaria crónica. Debitava uma corrente tão fria,que afugentava qualquer um. E quem pagava eram os rolos das sanitas.
Os parcos recursos não dariam para a reparação,seria o mais certo. Pena maior era o de não permitirem engordar os magros salários. Se tal acontecesse,talvez um milagre,certamente outras caras eles apresentariam e também outros procedimentos.
Era uma nódoa aparentemente escusada. Mas ali estava um grosseiro quadro de bastidores a mostrar como uma bela rosa pode conviver com um feio espinho.
NÃO DAVA UM PASSO
Olá Senhora Dona Árvore,bons olhos a vejam,assim já acordada. Olhe que já não era sem tempo,devia estar muito estafada. Também não era para menos. Essa roupa que agora já vai dando um ar da sua muita graça deve-lhe dar um trabalhão. Sim,que ela significa uma grande azáfama,ainda que não o mostre,que a Senhora é muito modesta. É claro que o Sol está ali para a ajudar,que foi,em grande parte,para isso que ele foi criado. Sem Ele,tem de concordar,a Senhora não era nada,desculpe que lhe diga. Eu sei isso muito bem. Tem razão,não era nada,mesmo nada. Este tronco,estes braços,esta roupagem, a Ele os devo,mas também não nos podemos esquecer do anidrido carbónico, e da água, e da terra,que sem eles não dava um passo,um modo de dizer. Pois é,Dona Árvore,mas não foi para isso que aqui estou a comprimentá-la. Foi para lhe desejar um bom ano,que,a bem dizer,está começando para si,que se adorne como a temos visto até aqui,que se alegre muito com a passarada que a visita sem descanso,e também com o consolo que dá a tantos que se vêm sentar à sua sombra nesses poiais que aí puseram. Que DEUS a conserve por muitos anos,que bem merece.
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