sábado, 28 de abril de 2018
SOBRE O FERRO
Um dos elementos mais abundantes na natureza,mas muito pouco disponivel na água dos oceanos,não sei se sempre,mas,pelo menos,quando passaram a ter uma basicidade à volta de 8. Assim,não há ferro iónico livre que resista. Daí,alguém andar muito ralado,porque ,sem ferro,adeus fotossíntese,adeus fitoplancton,adeus tanta coisa mais. E o que é mais curioso para um leigo como eu,o ferro não entra na estrutura da clorofila,mas sem ele,ainda havia mais CO2 por aí,à solta.
Em tempos,convivi com o Fe,via Mn,pois são dois elementos muito chegados,entrando em reacções de oxidação-redução várias,que,como sabe,estão na base de muita coisa,porque,no fundo,isto é mais electrão, menos electrão,uma coisa tão simples,mas uma das chaves de tudo isto que nos rodeia,e nos forma.
Mas deixemos o ferro,e saltemos,com a sua ajuda,para um outro ponto,num outro post seu. O da frugalidade nas plantas,uma possível linha de investigação em agricultura. Com menos comida para as culturas,a mesma,ou mais,comida para os humanos,e não só,que as vaquinhas,e não só,também papam. Só para terminar,a propósito das vaquinhas,e de toda a familia ruminante,parece irem passar um muito mau bocado,pois há para ai quem não goste delas por causa do metano que fabricam.
sábado, 24 de fevereiro de 2018
POBRE JIBÓIA
O jipe não havia meio de vir,pelo que o melhor era fazerem-se ao caminho,um caminho à beira-rio. Manda quem pode,mas às vezes não devia mandar,como foi neste caso. Ignorâncias. Entretanto,caíra a noite. Dava aviso,mas esperava pouco. Já se sabia,mas era o mesmo que nada. À frente,ia o trepeiro,homem muito experimentado. Com ele no comando,ia-se tranquilo. Não se contara,porém,com uma jibóia,que se lembrara,naquela altura,de ir à sua vida. E deu-se o que é frequente acontecer,um encontro que ninguém desejava. A pobre da jibóia deve ter ficado muito assustada e tratou de se escapulir,refugiando-se no remanso de onde viera,o capim fresquinho do talude do rio. O guia ainda levantou a catana no propósito de a enfrentar. Fora ele o único a montar defesa,pois com os outros não se podia contar. Ora a nossa vida,lamentava-se o que podia. Assim não vamos lá. Com quantas gibóias iremos cruzar? Está além uma fogueira e o mais acertado é ficarmos lá à espera,aconselhou o guia. O jipe acabou por aparecer,depois de se ter refeito de uma mazela.
REGRESSO
Chovera torrencialmente nos últimos dias. Os terrenos estavam numa papa e os caminhos alagados. A ocasião não era propícia,pois,para o regresso,mas havia um prazo a cumprir,que não devia ser ultrapassado,sob pena de se encontrar a porta fechada. Valeu a perícia do condutor e a colaboração de três ajudantes,ou melhor,de três boas vontades.
O primeiro obstáculo surgiu logo à partida. O rio corria lá em baixo,apressado e turbulento,e o talude da margem parecia manteiga. A jangada já estava esperando. Duas tábuas oscilantes faziam negaças ao jipe. Mas este,só com o deslisar,que o mais estava interdito,deu com elas.
Uma estrada de terra batida aguardava. Como se encontraria ela? Passara-se por lá há uns meses,quando da vinda,e aquilo era uma fábrica de poeira vermelha e um crivo de malha larga. Não se precisou de esperar muito para se saber a resposta. O que fazia ali jeito era um barco. Mas o jipe lá avançou,corajoso,a passo de boi,que mais não podia ser.
A água,lamacenta,infiltrava-se por todos os buracos e a sua altura era,por vezes,de respeito. Houve,assim,necessidade de se fazerem desvios pelos morros,em risco de o jipe ir parar lá abaixo. Mas o declive,volta não volta,não permitia. Teve então de se recorrer ao expediente das pontes improvisadas com capim. Mas este era rei e não faltaram sapadores.
A meta foi,finalmente,cortada. Assim terminava a primeira etapa de uma corrida. Outras se seguiriam,felizmente não tão trabalhosas e angustiantes.
MISÉRIA
Um homem novo,mas de cabelo já grisalho,talvez das muitas ralações,levantara a tampa de um contentor de lixo e estivera uns tempos a pesquisá-lo,a inventariá-lo. Acabara por se decidir por dois sacos,que abriu,a confirmar o valor do achado. Valia a pena levar.
A testemunha involuntária dessa triste cena encontrava-se também ocupado com outro depósito,a caixa do correio,por detrás da porta de vidro da sua morada. Terminadas as pesquisas,os seus olhares cruzaram-se. E o que um viu foi ainda mais triste. A tristeza e a vergonha que se soltaram lá daqueles olhos,do homem novo, de cabelo grisalho. Parecia ter praticado uma feia acção.
Aquele homem estava a precisar de ajuda urgente. Mas que ajuda lhe poderia dar? Uma esmola? Uma pobre mezinha,que apenas ligeiramente o aliviaria. Ficaria,até,mais magoado. A vergonha que os seus olhos espelhavam era bem sinal de que estava consciente da sua situação triste,o que muito lhe havia de doer. Não teria gostado de ter sido visto naquela procura.
Seria melhor deixá-lo ir,desejando que,um dia,um dia próximo,desse com a cura,definitiva, da sua miséria.
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UM GELADO
Já devia ter ultrapassado o cabo dos noventa,ou talvez não,que isto de idades tem muito que se lhe diga. Caminhava quase em ângulo reto,apoiado numa bengala e numa canadiana. Conseguira descer uma escadaria de dois lanços,atravessara a rua e embrenhara-se no jardim. Avançava muito tentamente e,enquanto o fazia,soltava gemidos. Eram ais,numa toada que lembrava,das fitas,a dos remadores das galés. Ele também seria uma,já muito gasta,a desconjuntar-se,mas que ainda se mantinha navegando. Só que nela havia apenas um único tripulante. A cabeça seria a proa. O fluido envolvente deixar-se-ia abrir,sem resistência,com pena dele. E a embarcação lá ia,muito arrastadamente,mas ia. Parou junto a um quiosque. Encostou os apoios e ergueu com esforço a cabeça. Pediu um gelado,pagou,recebeu o troco e retomou a navegação,mas por apenas mais uns metros. Sentou-se num banco,pousando a iguaria ao lado. Tossiu,assoou-se,instalou um cigarro na boca e acendeu-o. Tudo isto sem pressas,como que antegozando o festim. Finalmente,chegou o grande momento. Chupava,dava uma fumaça,tossia e olhava. Para onde? Ficaria isso com ele.
CROP PHYSIOLOGY ABSTRACTS . Volume 4 . Página 520
https://books.google.pt/books?id=0ewyr-Y-gWEC - Traduzir esta página
1978 - Vista de excertos - Mais edições
4395 GAMA, M. V. DA [A case of probable sulphur deficiency in wheat in pot experiments.] Um caso provável de deficiència de enxofre em trigo cultivado em vasos. Agronomia Lusitana (1977) 38 (2) 123-126 [Pt, en, 11 ref.] Estação Agronómica Nacional, Oeiras, Portugal. Various rates of N, K and S were added to wheat in pot experiments. With the no-S treatment, the highest rate of N produced severe chlorosis, stunted and retarded growth, and low grain yield. The total S content ...
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
MANUEL VASCO DA GAMA - COIMBRA
Título:
Sobre o potássio e o magnésio dalguns solos do perímetro de rega da Souraia
Autor(es):
Manuel Vasco da Gama
Publicação:
Coimbra : Ordem dos Engenheiros, 1980
Descrição física:
19 p.
Assuntos:
Recursos hídricos
CDU:
556
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